Mostra coletiva ‘FARSA’ reúne obras de artistas do Brasil e Portugal no Sesc Pompeia

Atualizado: Fev 9

Com curadoria de Marta Mestre e curadoria adjunta de Pollyana Quintella, ‘FARSA’ investiga desafios da língua e da linguagem por meio de trabalhos de mais de 50 artistas históricos e contemporâneos.

Público poderá visitar gratuitamente mediante agendamento prévio feito na página da unidade na internet.

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Amanhã não há limites, por Carla Filipe (esquerda) e Copacabana Mon Amour, por Helena Ignez (direita - projeção) | crédito da imagem: Ilana Bessler


Indagações sobre a complexidade do que é linguagem e a língua estão no cerne de FARSA. Língua, fratura, ficção: Brasil-Portugal, exposição coletiva que estreia na terça-feira, 20 de outubro, no Sesc Pompeia. Com curadoria de Marta Mestre e curadoria adjunta de Pollyana Quintella, a mostra propõe uma narrativa que cruza a dimensão poética, ficcional e política da arte.

Inicialmente prevista para acontecer entre os meses de abril e julho deste ano, a mostra, que teve sua abertura adiada devido às restrições impostas pela pandemia de Covid-19, agora pode ser visitada gratuitamente pelo público de terça a sexta, das 15h às 21h, e aos sábados, das 10h às 14h, mediante agendamento prévio pelo site sescsp.org.br/pompeia. As visitas à exposição FARSA têm duração máxima de 90 minutos e o uso de máscara facial é obrigatório para todas as pessoas.



FARSA. Língua, fratura, ficção: Brasil-Portugal reúne obras que sublinham a fragmentação e a polifonia por meio de uma miríade de falas decoloniais não alinhadas aos discursos universais. São trabalhos de artistas de diferentes gerações, estilos e pesquisas, nomes como Andrea Tonacci, Anna Bella Geiger, Anna Maria Maiolino, Grada Kilomba, Gretta Sarfaty, Lygia Pape, Mariana de Matos, Mariana Portela Echeverri, Mira Schendel, Movimento Feminino Pela Anistia No Brasil, Paulo Bruscky, Pietrina Checcacci, Regina Silveira, Regina Vater, Renata Lucas, entre outros.


"O título - FARSA - aponta para uma ironia, uma torção dos sentidos. Evoca tanto uma dimensão de paródia como expõe uma ferida aberta, com o propósito de reforçar a ambiguidade e a fratura que a língua e a linguagem estabelecem", explica a curadora Marta Mestre. "Selecionamos trabalhos de artistas que torcem uma língua e que reinventam a linguagem, questionando o seu poder de colonialidade, mas também as relações de fuga e de ficção que nos permitem, coletiva e individualmente, reinventar laços sociais, políticos e poéticos com o mundo", completa.


O conjunto de obras em FARSA sublinha não só os usos poéticos e políticos da palavra, como a poesia visual, a montagem da fotografia, do cinema, da performance, ou as estratégias de desconstrução de gênero. As obras também mostram a dimensão viral e capitalista da linguagem nos dias de hoje, que vão desde as fake news, os "memes", até as hegemonias linguísticas ou o uso do abjeto e da escatologia na política.


"É a partir da linguagem que podemos nos reinventar e traçar novas formas de existir. Se não é possível existir fora da linguagem, é através dela que sofisticamos uma imaginação que nos permite organizar o real e testar modos de viver e sonhar coletivamente, ontem e hoje", afirma a curadora adjunta Pollyana Quintella .


Farsa, de Renata Lucas | crédito da imagem: Ilana Bessler


A mostra conta com várias obras que serão expostas pela primeira vez no país, algumas delas seguem diretamente de instituições portuguesas como a Fundação Calouste Gulbenkian e o Museu Serralves, além de coleções privadas portuguesas e brasileiras, e obras de acervos brasileiros como os do Museu de Arte do Rio de Janeiro e coleções de artistas.


A exposição está ancorada em três núcleos - Glu, Glu, Glu, Outras galáxias e Palavras mil - que trazem ao público diálogos entre obras de artistas expoentes das décadas de 1960 e 1970, com a produção de artistas que emergiram no século XXI.

Em Glu, Glu, Glu, serão apresentados trabalhos que abordam a ideia de língua e de linguagem enquanto máquina de desconstrução. Assim como mecanismo voraz de deglutição e excreção dos significados, se faz prevalecer não o discurso, mas sim, os fragmentos e os cortes da realidade, expressivos em palavras e corpos.

A boca é um dos elementos com grande expressividade neste núcleo e age, aqui, como um dispositivo, abrindo caminhos para ambiguidades. Neste sentido, a linguagem está atrelada ao sexo, ao erotismo e à subjetividade. Ideia recorrente em obras como Eat Me, de Lygia Pape, Ouve-me, de Helena Almeida, Verarschung, de Pêdra Costa e Blá Blá Blá, de Andrea Tonacci.


Em Outras galáxias, evoca-se a virada distópica dos anos 1960 e 1970 na literatura e nas artes visuais, que, expondo o potencial destrutivo da humanidade e do planeta, reforçou a urgência em projetar futuros longínquos através da ficção científica e da ecologia. Os trabalhos desse núcleo afirmam a possibilidade de "transicionar" de vida, de gênero, de subjetividade, e de reinventar a linguagem e o humano através da ficção e da fuga nas periferias do cosmos. O caráter lúdico é visível nas obras: Júpiter, Lua chegada, Marte aterrissagem, Saturno, Visão da Terra, da série Yauti in Heavens de Regina Vater, e Fato de ouro, Fato de pedra, Fato de madeira, 2016 de Mumtazz e 7 para 8, de Dayana Lucas.




Em Palavras mil, apresentam-se trabalhos que lidam com a poesia e a revolução, muitos deles reportando-se à transição entre ditadura e democracia em Portugal e no Brasil. Abordam o gesto político, íntimo e coletivo por meio do manifesto escrito ou performado, da visualidade das lutas sociais, ou da sonoridade desejante das ruas.


São percepções que transbordaram para a amplitude dos gestos nas ruas, tanto no Brasil, com a multiplicação de grupos fragmentados entre as esferas de poema, processo, poesia concreta e etc., quanto em Portugal, onde poetas produziam revistas e poesias experimentais. O público poderá refletir sobre isso por meio de obras como Em Revolução, de Ana Hatherly, Amanhã não há arte, de Carla Felipe, Time on my hands, de Lucia Prancha, Ocultação/Desocultação, de Ana Vieira, ELAS DEVEM TER NASCIDO DEPOIS DO SILÊNCIO, de Jota Mombaça e What we are talking about, de Ana Pi .



Lista completa de artistas que integram a exposição:

Agrippina R. Manhattan, Alexandre Estrela, Aline Motta e Rafael Galante, Ana Hatherly, Ana Nossa Bahia e Pola Ribeiro, Ana Pi, Ana Vieira, Andrea Tonacci, Anitta Boa Vida, Anna Bella Geiger, Anna Maria Maiolino, Carla Filipe, Carmela Gross, Caroline Valansi, Clara Menéres, Clarissa Tossin, Dayana Lucas, Denise Alves-Rodrigues, Dj Pelé, E. M. de Melo e Castro, Ernesto De Sousa, Eva Rapdiva, Francisca Carvalho, Gal Costa, Gê Viana e Márcia de Aquino, Grada Kilomba, Gretta Sarfaty, Gretta Sarfaty e Elvio Becheroni, Helena Almeida, Helena Ignez, João Vieira, Jota Mombaça, Katú Mirim, Linn Da Quebrada, Lúcia Prancha, Lygia Pape, Mariana de Matos, Mariana Portela Echeverri, Mira Schendel, Movimento Feminino Pela Anistia No Brasil, Mumtazz, Música Portuguesa A Gostar Dela Própria, Neide Sá, Nelly Gutmacher, Noite & Dia, Olga Futemma, Paula Rego, Paulo Bruscky, Paulo Bruscky e Unhandeijara Lisboa, Pêdra Costa, Pietrina Checcacci, Regina Silveira, Regina Vater, Renata Lucas, Rita Natálio, Rita Natálio e Alberto Álvares, Salette Tavares, Sara Nunes Fernandes, Thereza Simões, Titica, Túlia Saldanha, Vera Mantero, Victor Gerhard, Von Calhau!, Yuli Yamagata.